APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sábado, 17 de fevereiro de 2018

EU, ROBÔ? NÃO... - Mário Sérgio Cortella


Eu, robô? Não…


Do alto de um edifício na cidade de São Paulo, ao olhar uma via engarrafada,
cena que se repete todos os dias, conseguimos imaginar o deslocamento humano que acontece em vários grandes aglomerados urbanos ao redor do mundo por causa do trabalho. Só na capital paulista, são cerca de 11 milhões de pessoas que trabalham tresloucadamente em seu cotidiano.
Poderia ser diferente? É possível que sim. Essas pessoas poderiam trabalhar
menos, de maneira menos sofrida, se repartíssemos o que é produzido. A não
repartição leva a duas situações: quem acumula quer continuar acumulando, e
quem não tem preci sa se mobilizar mais para ter alguma possibilidade de
sobrevivência.
A divisão social do trabalho abordada pela sociologia, especialmente pelo
francês Émile Durkheim, traz a percepção de que potencializamos nossas
capacidades quando nos dividimos para fazer tarefas diferentes, de maneira a
não termos de fazer a mesma coisa. Por trás disso, há sempre um questionamento, como um diálogo interno:
– Por que faço o que faço?
– Ora, porque sou obrigado.
– Mas e se eu não for obrigado a fazer exclusivamente isso? Poderia fazer outra coisa?
– Se eu tiver escolha, parto para essa outra coisa.
– Mas por que, em vez de fazer o que faço no trabalho, não vou ser um
empreendedor?
– Porque eu não tenho condição de fazê-lo. Quando tiver o farei.
Onde há o travamento? Na impossibilidade de ação, e então eu cumpro a
minha tarefa.
Karl Marx fazia uma distinção muito clara entre os dois reinos da vida: o da
necessidade e o da liberdade. No reino da necessidade, eu não posso deixar de
fazer aquilo que eu faço, senão pereço. No reino da liberdade, a vida é escolha.
Segundo Marx, existe uma diferença entre ser “livre de” e “ser livre para”.
Se você não for livre da fome, da falta de abrigo, da falta de socorro médico,
você não é livre para outras escolhas. Uma parcela das pessoas é livre da
miséria, da penúria, da carência, e é livre inclusive para dizer “não vou ter um
trabalho regular”, “vou viajar”.
Para ser um mochileiro, é preciso ser livre de uma série de outras restrições.
Não adianta imaginar que um menino pobre da periferia de uma metrópole
colocará uma mochila nas costas e viajará para a Austrália. Um garoto de família mais abastada seria capaz de fazer isso. Porque ele tem contatos, já armazenou na sua mochila vivencial uma série de ferramentas que o permitem essa experiência, porque é privilegiado. Para o outro não há escolha, ou trabalha ou morre.
Em uma de suas obras, Marx sonhou que chegaríamos a uma tecnologia tal
que o homem dividiria o dia de modo que fosse possível trabalhar apenas quatro
horas. E as outras vinte seriam dedicadas ao lazer, à convivência com os filhos.
Ele dizia, inclusive, que iríamos pescar. Esse sonho de Marx é, em grande
medida, resultado da crença na racionalidade tecnológica, a partir da qual
teríamos a possibilidade de partilhar as tarefas, o que economizaria tempo
coletivo.
Do ponto de vista técnico, já chegamos a esse patamar, a humanidade
poderia viver hoje com sobra de matéria e tempo do que já produzimos. A
questão é que caminhamos para a concentração em vez da distribuição e, de
modo realista, não temos uma partilha das tarefas. Enquanto algumas pessoas
são sobrecarregadas, outras são liberadas.
Isso é bastante evidente, basta imaginar a quantidade de roupas que guardamos sem usar por dois, três anos. Se numa comunidade o uso tivesse de
ser contínuo, a produção de muitos itens seria reduzida e muitos recursos seriam poupados.
Sobre isso, concordo com o pensador norte-americano Benjamin Franklin, que dizia que três mudanças de casa equivalem a um incêndio, porque deixamos muita coisa para trás que nem tínhamos notado acumular. O desperdício hoje é tanto que precisamos continuar nos esforçando para manter um modelo que já seria sustentado se houvesse partilha.
Ainda no século XIX, o jornalista e escritor francês Paul Lafargue (genro de
Karl Marx) produziu uma obra muito interessante chamada O direito à preguiça.
Nela, ele escreve algo que parecia um contrassenso na década de 1880, quando
os operários na Alemanha, Inglaterra e França discutiam o direito ao trabalho.
Na época, ainda não havia uma legislação trabalhista regulamentando a
jornada de oito horas, o que, após várias discussões, apareceria tardiamente no
século XX. O primeiro documento a reivindicar uma jornada organizada é uma
encíclica do papa Leão XIII, a Rerum Novarum, de 1891, que inclusive
argumenta a necessidade de organização sindical. Produz-se naquele momento
um debate anterior à encíclica sobre o direito ao trabalho. Enquanto isso,
Lafargue reivindica o direito à preguiça, com base no seguinte argumento: “Já se trabalha bastante, o que nós precisamos ter é uma máquina que nos poupe
trabalho para ficarmos mais com a família”.
A ironia nesse texto de Lafargue é a recusa a essa laborlatria, também
manifestada no século XIX. Evidentemente, Marx está pensando na organização
de uma vida na qual houvesse uma repartição, para isso ele usa uma expressão
proveniente do mundo anarquista, que sintetiza muito bem o que seria essa
partilha com tempo poupado: “De cada um de acordo com a sua possibilidade;
para cada um de acordo com a sua necessidade”.
Inclusive, esse foi o lema de várias experiências anarquistas que ocorreram
até mesmo no Brasil. No estado do Paraná existiu uma fazenda anarquista,
chamada Colônia Cecília, e, ao contrário do que se supõe, anarquismo não é
ausência de ordem, é ausência de opressão. Em fazendas como essa, a
propriedade da terra era coletiva, conforme esse princípio: de cada um de acordo com a sua possibilidade; para cada um de acordo com a sua necessidade. Elas foram os modelos para o que mais tarde seriam os kibutzim, em Israel.
Desde a Revolução Industrial, o mundo do trabalho ficou extremamente marcado pela máquina, reforçando inclusive a noção do trabalho alienado. O
automatismo, esse modo automático de ação, em grande medida, tem como
consequência a alienação da execução. Uma pessoa alienada é alheia a algo. A
intencionalidade dela não está naquilo que faz, ela não tem consciência direta do que produz, está fazendo algo automaticamente.
Nesse sentido, o trabalho feito de modo robótico é algo que, durante o século XX, foi decisivo para a alteração do mecanismo de produção. O taylorismo ou fordismo, em grande medida, acabou gerando a perda da
inovação, da criatividade, o que, num mundo tecnológico, é uma coisa negativa.
Por isso, se o próprio indivíduo fizer as coisas de modo automático,
robótico, isso levará a um processo de alienação, isto é, de perda de si mesmo.
Portanto, algo muito forte da natureza do trabalho se perde, a natureza autoral, a sensação de “eu sou o realizador daquilo”. Fazê-lo de modo automático é tirar de mim a dimensão realizadora. Nessa hora, eu me desumanizo, isto é, me
aproximo do mundo das máquinas.
Retomando a expressão de Marx, o trabalho alienado é aquele que eu faço e
que não pertence a mim e eu também não pertenço a ele. Nem o que eu faço é
minha propriedade, nem eu sou propriedade de mim mesmo. O trabalho alienado é aquele que é estranho a mim.
Quando vejo um livro que publiquei, aquele trabalho não é estranho a mim.
Assim como um almoço que preparo. A respeito disso, Marx vai usar a ideia de
estranhamento, o trabalho no qual você se perde. Daí uma expressão muito
recorrente no mundo do trabalho ser “eu não estou me achando naquilo que
faço”.
A grande simbologia do filme Tempos modernos (de Charles Chaplin,
1936) é que o Chaplin, interpretando o operário, não é esmagado pela máquina.
O mais triste nessa obra não é o automatismo do movimento da linha de
montagem, que ele, mesmo após a parada da esteira, continua reproduzindo. Mas sim a alegoria de que ele se integra àquela engrenagem de tal modo que sai do outro lado ileso. E isso é o contrário do que se imaginaria do mundo do trabalho, no qual a pessoa deixa de ser pessoa no cotidiano.
Algumas empresas, na área industrial, conseguiram ampliar a visão do todo
fazendo com que houvesse um rodízio de profissionais entre as várias funções.
Nas equipes autogerenciadas, o rodízio permitiria uma visão mais panorâmica
dos processos, uma vez que o fordismo e o taylorismo acabaram introduzindo
aquele parcelamento da atividade com o qual a visão geral do resultado do que
se faz é perdida.
Alguns até poderiam dizer que “seria muito bom se o trabalhador fosse obediente, servil, não pensasse, apenas executasse”. Esse tipo de raciocínio não
cabe mais nos tempos atuais, porque uma pessoa com essa condição pode ser
pouco produtiva, já que não tem iniciativa, autonomia ou criatividade, portanto,
pode ser substituída por um robô. E a palavra “robô” vem do tcheco robota, que
significa “escravo”, aquele que faz o que lhe é ordenado.
Hoje este é um valor organizacional: uma pessoa consciente das razões pelas quais faz aquilo que faz é muito mais eficaz.
Nessa concepção, uma empresa inteligente tem funcionários que também
pensam a razão daquilo que estão fazendo, inclusive porque isso permitirá que se produza inovação, isto é, que se pensem outros modos de se fazer aquilo que se faz e ganhar produtividade, competitividade, lucratividade e perenidade em
relação ao próprio negócio.


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

VERSOS FESCENINOS: OBSCENOS E LICENCIOSOS (Por Hélio Crisanto)



Alguns estudiosos afirmam que o verso fescenino é originário da cidade de Fescênia (Itália). Outros afirmam que a literatura fescenina vem do latim fascinus, que traduz o grego phallos (Órgão sexual masculino). Esse estilo destaca-se pelo conteúdo, erótico, libidinoso, lascivo e obsceno, considerado escandaloso e imoral pelos puritanos, muito cantado e aclamado nos festivais da antiga Roma. No Brasil Poetas como Gregório de Mattos, Humberto de Campos, Arthur Azevedo e tantos outros se aventuraram nessa narrativa licenciosa. Na poesia popular, pelo cunho proibitivo, esses versos são exaltados com eloquência em mesas de bares e entre rodas de amigos. Aqui no estado do Rio Grande do Norte o poeta Renato Caldas, foi um grande destaque nesse gênero literário. Vejamos o humor e o sarcasmo contidos nessas belas estrofes.
Eu trabalho atualmente Na Fazenda Santa Esther Meu patrão tem uma mulher Que é o satanás em gente Quando ele está ausente Ela chega no terreiro Passa a mão no corpo inteiro Aumentando o meu tesão Eu vou me acabar na mão Feito colher de pedreiro. (Heleno Alexandre) A cabra ensinou ao bode A demonstrar compostura Acabar com essa frescura De comer cu, que não pode! Eu faço barba e bigode Disse o bodinho tarado Já ficando aperreado Com o cacetinho duro Encostou no pé do muro Dizendo: fode ou não fode? (Antônio Xexéu) Na França, pescoço é cou (como anda tudo a esmo!) No Japão, Ku é ministro No Brasil, cu é cu mesmo. (Barão de Itararé – RS) Talvez não tivesse cheiro, Servia de brilhantina. Ninguém cagava em latrina Se merda fosse dinheiro. Todo mundo era banqueiro! Sanitário - era baú, Porém aqui no Assu, A terra do interesse, Se tal coisa acontecesse Pobre nascia sem cu (Renato Caldas)


Hélio Crisanto 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Sobre essa chuvinha que está caindo... ou sobre a inspiração que ela me deu


Sobre esta chuvinha alvissareira

Por Cecília Nascimento
14/02/2018


“O sertanejo é antes de tudo um forte”
(Euclides da Cunha)

            O sertanejo chega do trabalho cansado, liga a televisão no jornal corrente, senta-se à mesa para pegar a boia com sua esposa e filhos e mantém os olhos atentos à tela, tão solene quanto em uma prece. Não é que ele esteja por demais preocupado com o preço da gasolina... Sua vida inteira foi percorrida a pé. Seu café, de manhã, é fervido a lenha... E é levando lenha nas costas que ele tem criado todos os seus filhos. Repito: não é com o preço da gasolina (que por sinal não para de aumentar) que ele está preocupado. Também não é com os rumos do País... Ele assiste a cada notícia sem demonstrar qualquer sobressalto e vai ouvindo que os políticos estão cada vez mais corruptos, que descobriram agora outro golpe na praça, que as pessoas estavam desenfreadas neste carnaval, que os impostos bateram recorde neste início de ano comparados ao ano anterior, que as ONGs estão se mobilizando para salvar os animaizinhos de rua, que está se concluindo o prazo para matrícula nas faculdades, que o resultado da última partida do campeonato não foi como o esperado, que o hit do verão está abalando nas paradas de sucesso... A tudo isso assiste o sertanejo quase inerte, movendo apenas lentamente seu maxilar para mastigar seu feijão com farinha.
            A vida parece repetir-se como uma sequência invariável das mesmas figurinhas até que, finalmente, aparece na tela a imagem de um mapa e junto com ele, uma moça bem vestida com a pretensão de saber a previsão do tempo para os próximos dias. Nesse momento não tem apatia que se sustente. Os olhos dele se arregalam como quem vê assombração. Se se fizesse silêncio total daria para ouvir as descompassadas batidas do seu coração, que indeciso, ainda não sabia se devia se agitar porque talvez chovesse ou recuar, mofino, pausado, comprimido porque novamente elas, as tão esperadas chuvas, passariam longe dali.
            Atento às imagens, analfabeto de pai e mãe, o sertanejo observa as cores mais fortes na região mais baixa do mapa e a figura do sol escaldante pairando ali na sua região... Mais um dia com mais do mesmo. É hora de pôr um palito de fósforos na boca e deitar-se no chão para fazer descansar os ossos até encarar a labuta novamente. Ao fechar os olhos, ele não lembra do hit do verão, tampouco do preço da gasolina ou da cota do dólar. Mas as palavras da moça bem vestida inflamam seu coração como uma flecha acesa... Já se vão seis anos sem chover e com este que se inicia entramos pela casa dos sete e não tem notícia alguma, boa ou má, que lhe tire a perturbação de ver os animais morrendo de fome e sede, seus filhos passando precisão, sua mulher abalada pela imprecisão desses dias quentes, dessa vida seca.
            Poucos minutos se passaram... Ele já pega seu machado e prossegue em direção a mais labuta. Já longe de casa, para num morro, sente o bafo quente em seu rosto e observa o céu. De longe até que se engana... Parece que vê nuvens negras... Os urubus pairando acima não estão a adivinhar chuva; o que se cai por aqui é só morte, o que sobem são as almas cansadas de esperar...
            À noite, antes de dormir, ele traz seu rosto suado e o corpo esgotado. Ajoelha-se no chão e eleva sua alma ao Criador, pedindo que a previsão do tempo falhasse e que a provisão de fé atuasse porque o espírito estava pronto, mas a carne ressecada. Deita-se. O ar continua abafado. O calor persiste a noite inteira e antes que o galo cantasse, em meio a sonhos (um quê de devaneio ou de loucura), acorda esse sertanejo assustado: não pode ser! Mas era! Era a chuvinha alvissareira trazendo a boa resposta dos céus. Ele se estica a ver da janela. Não era sonho. Sua esposa e filhos comemoravam extasiados. De súbito, ouve-se um pedido de silêncio solene: Não vamos assustar a chuva, que ela, tímida, poderia recuar! E todos se calaram... assistindo àquele espetáculo atentamente.
Ninguém conseguiu mais dormir. O dia os encontrou em pé no alpendre, contemplativos. A timidez da chuva, se fosse real ou não, não sei; só sei que ela não recuou. Estava ali, suave, mas contínua. E como num passe de mágica o verde tomou conta das redondezas; mudou-se enfim essa estética do sertão! A mulher pôs um vestido florido e cozinhou com todo gosto. Os meninos não paravam de pular nas poças. O sertanejo deu-se folga; não apenas de trabalho: era sua alma que pela primeira vez em sete anos estava em folga. E do seu jeitinho simples de pensar... Não sei bem com que palavras isso se deu... Mas ele pensou: uns diziam ser a ciência; outros que a meteorologia já previa há tempos; foi apenas equívoco na comunicação... Mas ele... ele só sabia pensar uma coisa: “Eu chamo isso é de Deus”.
E continuava a chover...

PS:
Não sei plantar, não morei em sítio, nunca tive um roçado
Mas meu coração é sertanejo!


terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A gente aqui também tem Gente que versa bonito... - Jadinho Lima


A gente aqui também tem
Gente que versa bonito...

Lendo os versos do meu mestre
Antônio de Mossoró
Procurei ir bem mais fundo
Para desatar o nó
E me inspirei nessa obra
"Dez cordéis num cordel só".
Vendo a grandiosidade
Dessa obra genial
Fiquei bastante encantado
Com os versos sem igual
Que o Mestre ANTÔNIO FRANCISCO
Faz de forma especial.
Ouvi dizer muitas vezes
Que o Rio Grande do Norte
Não é lugar de poeta
E isso causou-me um corte
Por conhecer tantos vates
Dessa terra rica e forte.
Comecei pelo maior
Que brilha feito um corisco
Que tem a alma tão grande
Até de falar me arrisco
Que vejo DEUS quando escuto
A voz de Antônio Francisco.
Santo Antônio de Xexéu
Poeta da Natureza
Suas rimas tem o som
Das águas numa represa
Encantando todo mundo
Ao ouvir tanta beleza.
No alto oeste eu encontro
Dois vates que tem candura
Grande Robson Renato
Onde só vejo doçura
E Manoel Cavalcante
Expoente da cultura.
Em Caicó dou um grito
E chega logo a patota
Edcarlos, Zé Fernandes
E o Mestre Djalma Mota
Com ares de poesia
Aonde o verso mais brota.
Parelhas de Daniel
Sivoca, de Souza Filho
Onde São Sebastião
Nos da os ares com brilho
Com a fé e com poesia
João Caetano é o trilho.
Patu de Lucélia Santos
Com seu verso fascinante
Poetisa genial
Do mesmo chão de Brilhante
Onde as rimas tão perenes
Ganham um nível importante.
Carnaúba de Evanilson
E de Vagner Cortês
Onde no monte do galo
A poesia tem vez
O galo canta versando
A bondade de vocês.
Florânia de Gente grande
Onde o fuá é pesado
Joelson Araújo vem
Com um Mourão mal criado
Sextilha, sétima e décima
E um quadrão perguntado.
Currais Novos tem poesia
De encher o coração
Sergio Cleto, Henrique, Hadock
Poetas de perfeição
Claudson de oi aberto
Pras coisas desse sertão.
Santa Cruz de Hélio Crisanto
Gilberto de verso grande
Que Santa Rita protege
E cada rima se expande
Levo esse povo comigo
Por todo canto que eu ande.
Rariosvaldo Oliveira
Não faz versejo esquisito
Cada estrofe do poeta
Faz a gente da um grito
Dizendo que o Rio Grande
Também tem verso bonito.
Ainda tem quem segure
O verso daqui pra frente
João Neto de Equador
Poeta véi diferente
Natália de Pau dos Ferros
Sensibilizando a gente.
Tem Davi de Bom Jesus
Que faz o que quer da rima
Galopa feito vaqueiro
Tanto por baixo ou por cima
Minha eterna raiz
E eu eterno aprendiz

Poeta Jadson Lima
Natal, 11 de Janeiro de 2018

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

QUEM NUNCA FEZ NADA DISSO NÃO SABE O QUE É SERTÃO


QUEM NUNCA FEZ NADA DISSO NÃO SABE O QUE É SERTÃO Quem nunca fez arapuca Botou cabresto em jumento Cuidou de galo gouguento Bebeu água de cumbuca. Tirou ferrão de mutuca Armou quixó, fez cambão Quem nunca fez oração Rezando pra padim ciço Quem nunca fez nada disso Não sabe o que é sertão (Hélio Crisanto) Quem nunca sentiu o orvalho De uma vereda fechada Viu uma rês sendo ferrada E um chão batido no malho Galinha ciscando o cascalho Uma gaiola com Canção Um chiqueiro com capão Uma panela com chouriço "Quem nunca fez nada disso Não sabe o que é sertão” (Cícero Aguiar) Quem nunca "foi lá no mato", Buscou água na cacimba, Chamou trepada de pimba, Caçou em cão carrapato, Quem nunca "capou o gato" Para fugir de um sermão, Quem nunca coçou a mão Por um prato de chouriço, Quem nunca fez nada disso, não sabe o que é Sertão. (Cláudio Araújo)

Quem nunca pulou virando Na ribanceira de um rio Nào bateu queixo de frio Com o inverno chegando Quem nunca se viu caçando As aves de arribação Quem num tirou do alçapão Passarin visgo e paísso Quem nunca fez nada disso Não sabe o que é sertão... (Jarcone Vital) Quem nunca tomou coalhada Sopa ou suco de cajú E nunca chupou umbú Ou provou da Umbuzada Quem nunca jogou pelada Nos campos de pé no chão Tirou água em cacimbão Comeu Pirão e Chouriço Quem nunca fez nada disso Não sabe o que é sertão. (Rainilton de Sivoca) Quem nunca se acordou Com um jumento rinchando Galinha cacarejando Guiné gritando tô fraco Um véi cheirando tabaco Dando espirro de montão Com o currimboque na mão Guardava o fumo maçiço Quem nunca fez nada disso Não sabe o que é sertão ( Fabiano Gomes de Assu )

Quem nunca usou camisa Ganhada de candidato Quem nunca pagou o pato Levando sem culpa uma pisa Pegou resfriado na brisa Obrou de coca no chão Quem nunca brigou com irmão E fez o maior rebuliço Quem nunca fez nada disso Não sabe o que é Sertão. (Sérgio Cleto) Quem nunca plantou batata Jerimun e macaxeira Não comprou queijo na feira Não rolou carro de lata Quem nunca estalou chibata E nem limpou cacimbão Não fez cerca com mourão Quem não fez mel em curtiço Quem nunca fez nada disso Não sabe o que é sertão. (Troya Dsousa) Quem nunca brincou de toca Quem “coruja” não soltou, Quem num poço não saltou, Quem não pescou com minhoca, Atirou com soca-soca, Fez cavalo com pendão, Fez raposa com feijão, E brincou com tudo isso, Quem nunca fez nada disso Não sabe o que é sertão. (Aristóteles Pessoa)

Quem nunca jogou chimbra E nunca rodou pião Quem nunca fez oração Jogando pedra em cacimba Quem nunca mixou de cima De um Pé velho de angico E nunca deu um Belisco Levou cascudo de irmão Quem nunca fez nada disso Não sabe que é sertão (Romero Baia)


O QUE É POESIA? - Moreira de Acopiara





Enquanto contemplava o entardecer, no terreiro sertanejo do meu pé de serra, alguém me perguntou: "O que é poesia"? Respondi:

A carreira certeira do preá,
A cantiga penosa do carão,
A beleza discreta do cancão,
A “mijada” marcante do gambá,
A correta visão do carcará,
Uma noite de rija cantoria,
Um matuto fazendo simpatia
Pra ganhar pouca praga e muito inverno,
Uma prece saudando o Padre Eterno...
Tudo isso, a meu ver, é poesia.

CARNAVAL EM TROVAS (vários autores)


01
No carnaval da alegria
fantasiei-me de gay.
Era pura fantasia
mas, confesso que gostei.
(José Monteiro - BJ)

02
Eu confesso que gostei
de vê- lo assim, uma uva!!
E a fantasia...eu achei,
coube em você como luva!
(Janilce- Campos-RJ)
(Com carinho e respeito para o trovador José Monteiro)

03
Toca tanto seu apito
lá no bloco, o Ricardinho,
e em casa a mulher no agito
toca o apito do vizinho.
José Monteiro - BJ

04
Ele visitou seu Mário, 
naquela tarde animada,
e depois "saiu do armário",
voltou toda requebrada.
Danusa Almeida

05
O ano inteiro vivia
no mais perfeito recato.
No carnaval, na orgia,
era o que era de fato.
(Gilberto Cardoso PB e RN)

06
O padre homossexual
de fato soltou a franga
ao brincar o carnaval
com o sacristão, de tanga.
(Gilberto Cardoso dos Santos Cuité-PB)

07
Fez fantasia de dois,
ele de um lado e, do outro, ela
O problema foi depois...
endoidou na passarela! 
(Danusa Almeida)

08
Nos cinquenta tons cinzentos
da quarta pós carnaval,
os homens fingem lamentos
durante a missa campal. 
(Gilberto Cardoso dos Santos PB/RN)

 09
 Carnaval só de alegria,
de samba e bela marchinha
Ponho minha fantasia,
brinco até de manhãzinha!
(Gleyde Costa Campos RJ)
               
10
 Fui brincar o Carnaval
me roubaram a fantasia... 
A violência  é  normal
no Carnaval de hoje em dia. 
(Neiva Fernandes)

 11
Enfeitei a perereca
de lantejoula e missanga,
fui pro baile do careca
pra poder soltar a franga.
José Monteiro -BJ

12
Fui sambar no Carnaval
sem lenço e sem documento,  
ao tocar num berimbal
fui presa pelo sargento. 
(Neiva Fernandes)

 13
No baille  de Carnaval
a moça  foi sem calcinha
achando que era normal 
mostrar a sua pombinha. 
(Neiva Fernandes)

14
Menina eu vou te contar
mulher pelada é o que tem.
No Carnaval vai faltar
camisinha para alguém! 
(Gleyde Costa Campos RJ)
           
15
 Na missa da quarta feira
muitos fiéis fazem plano
e pensam na bebedeira
do carnaval do outro ano.
(Gilberto Cardoso dos Santos - PB / RN)

16
Vem, trazido pelo vento,
o baticum da folia.
Eu disfarço o meu lamento,
visto a capa da alegria!
(Janilce- Campos-RJ)

 17
Carnaval tem poesia,
pandeiro e consagração, 
também samba e fantasia, 
que despertam atenção. 
(Agostinho Rodrigues/RJ)

18
Era bom o Carnaval ...
brincava -se com capricho;
hoje é festa surreal -
drogas, violência. ..um lixo!
(Ariete Regina)

 19
 Carnaval pode ser bom,
se a brincadeira é sadia;
sambar sem sair do tom
e expressar muita alegria!
(Lucília Decarli / PR).

20
Multidões nos carnavais
bebendo, rindo e pulando,
e em protestos nacionais
jamais se mobilizando.

(Gilberto Cardoso dos Santos PB/RN)

21
Quanta criatividade,
nos desfiles foliões!
Queria a facilidade
para novas invenções!
(Ruth Hellmann)

22
Do púlpito descreveu
o carnaval como asneira,
justamente quem viveu
mascarado a vida inteira.
(Gilberto Cardoso dos Santos Cuité-PB)

23
Carnaval é bem folia,
pro crente, abominação,
no entanto de longe espia,
curioso com atenção.
Marcos Coelho Dourados/MS.

24O carnaval muito influi
no "Crescei e multiplicai";
durante a festa, ui ui ui,
porém depois, ai ai ai.
(Gilberto Cardoso dos Santos PB e RN)


Organização:  Danusa Almeida

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

RIMAS COM PALAVRAS IGUAIS (Gilberto Cardoso dos Santos)



Rimas com palavras iguais, que diferem apenas no sentido, recebem aval dos trovadores? Foi a partir de uma trova feita em homenagem à trovadora Ruth por Amália Marins que me veio o questionamento. A rima entre “nós” e “nós” deixou-me encucado.

Ruth é boa trovadora,
querida por todos nós,
é mulher encantadora
que desata nossos nós!
Amália Marins - Campos RJ

Apresentei minha dúvida nos grupos de Whatsapp Trovadores em Construção, Brasil Trovador e UBT. Indaguei se rimas com palavras homógrafas eram válidas, e neles obtive os devidos esclarecimentos.
Palavras homógrafas e homófonas sãoaquelas que têm a mesma grafia e pronúncia. A princípio achei que este tipo derima não era validado pela UBT,  nem por qualquer bom trovador cioso daestética do verso. Todavia, através da ajuda de Lucília Decarli, Antonio Juraci Siqueira e outros, aprendi que são válidas e que se tratam de rimas ricas,desde que as palavras pertençam a diferentes classes gramaticais. Lucilia Decarli explicou:

“A maioria das rimas são homógrafas...
Vejamos: preciso/ sorriso. Rimas: iso/iso;
prática/ apática. Rimas : ática/ ática;medo/ enredo. Rimas: edo/edo.
Existem rimas que são somente homófonas:-passo/ braço: asso/aço;
beleza/ represa: eza/esa .
As PALAVRAS HOMÓGRAFAS são idênticas e podem tomar entre si, se tiverem significados diferentes.
Aqui, estamos considerando as RIMAS e não as palavras completas.”


No cigarro dei um bom trago
desse vício sou refém,
os cigarros sempre trago,
mas divido com meu bem.
M. Zilnete de M. Gomes

Disse ao meu filho: – Não pode!
E ele, com testa franzida,
logo disse: – Não me pode,
sou dono da minha vida!
(Lucília Decarli).

Como explicou a trovadora Lucília,"Neste caso, a classe gramatical é igual, mas com sentidos diferentes:verbos podar e poder. Mesma classe, não é rima rica." Todavia, por se tratar de diferentes sentidos, a rima é válida. 

Sequência de trovas rimando compalavras  homógrafas

Correção : Lucilia
Organizacao : Neiva

01
 Já passou de três e meia,
estou com hora marcada,
calção, camiseta e  meia,
vou jogar uma pelada.
Raymundo Salles

 02
Canarinho, ouço  seu canto
e me encanta o seu  cantar;
sossegada no meu canto,
começo a cantarolar.
(Marta Codeço)

  03
 Vendo - te  triste num canto,
 para ti eu fui cantar... 
Alegraste com meu canto 
 feliz pudeste  ficar!
 (Neiva Fernandes)

04
Pagou os "olhos da cara"
pra ficar de cara boa,
mas nem a operação cara
deu nova cara à "coroa"!
 (Renata Paccola / SP)

               05
 Num mundo de muitas penas,
no meu galinheiro eu vi
uma galinha sem penas,
ciscando daqui e dali...
(Lucília Decarli).
               06
Eu  me levanto bem cedo, 
para pagar minhas contas,
se pedirem vez, eu cedo, 
terço na mão, conto as contas.
M. Zilnete de M. Gomes

              07
Com lápis de ponta fina,
desenhei uma cantora,
cuja voz bonita e fina
mostrou-se reveladora.
(Ruth Hellmann)

              08
Quando vi, eu tive pena,
do passarinho, coitado!
Tinha apenas uma pena,
mas era feliz, pelado.
Márcia Jaber

                  09
Mais que depressa, hoje, parto,
para ver a minha filha...
Quero assistir o seu parto,
ver meu neto... Maravilha!...
(Lucília Decarli).

10
Deixei a roupa de molho
fui na bodega comprar,
somente um copo de molho
para poder cozinhar.
Aurineide Alencar

11
Eu te disse , foi  "batata",
todo mundo come bem,
mas um purê  de batata,
enjeitar  não me convém! 
Gleyde Costa Campos RJ

12
Foi machucada bem na asa, 
a ave entrou pela janela,
deixou xícara sem asa...
Pena mesmo só daquela!
Danusa Almeida

13
Enquanto a galinha bota,
dirigiu- se até o chiqueiro.
Atolou a sua bota          
e ninguém aguenta o cheiro!
Danusa Almeida

14
Lambuzou-se com a manga
que roubou do meu quintal
e limpou-se com a manga
do paletó de tergal.   
(Janilce- Campos- RJ)

               15
 Vou passar cada verão, 
todos três últimos  meses,
na praia, vocês verão,
comprei casa dos chineses.
M.Zilnete de M. Gomes

              16
 Enfim para mim tu voltas,
mas eu fico preocupado:
onde destes tuas voltas
pra seres  tão demorado?
Márcia Jaber

                 17
 Confesso que fiquei mudo
sem saber o que falar:
mas um dia ainda mudo, 
vou morar noutro lugar. 
Neiva

              18
Fui transar com a coroa
e veio a pergunta audaz:
você quer cara ou coroa?
Eu respondí: tanto faz.
   José. Monteiro BJ

                  19
 Bebeu demais o tal moço,  
misturou vinho com cana, 
brigou e fez alvoroço 
 levaram o pobre em "cana"
   Ariete Regina

            20
Minha casa é bem cuidada,
as paredes em tom rosa,
a mesa sempre enfeitada
e no jardim muita rosa.
(Dáguima Verônica)

                21
 Cantarolar por amor,
deixou - te deveras tonto.
Ao recobrar teu valor,
bebeste até ficar tonto.
Agostinho Rodrigues

                22
Com a caneta de pena
desenhei meu colibri. 
Eu deixei ele sem  pena;
fiquei com pena,  o cobri...
Melanialudwig - SP

                  23
Bem-te-vi de alegre canto
canta em mim saudade sua,
e o seu retrato no canto
hoje em minha alma flutua !' 
Marleide Canedo - BH

             24
Bem depois daquele Morro 
construíram uma estrada,  
perigosa... Eu quase Morro 
com medo da "abençoada"! 
(Dodora Galinari)

RICA QUE TE QUERO RIMA! (Autor Juraci Siqueira)

Trovas rimadas com palavras homógrafas: 

Antes, doce feito lima,
meu sofrido coração 
hoje é ferreiro que lima
as arestas da ilusão. 

Teu amor não vele a pena,
é fruto da hipocrisia
e tem o valor da pena
de uma caneta vazia.

Esta saudade que trago
enrodilhada em meu peito,
é um vinho azedo que trago 
gota a gota, contrafeito.

Por caridade, não traga
à vida consumição 
que o fumo que você traga,
estraga, sim, seu pulmão!  

Livre que te quero livro,
porto e porta da alegria! 
É no livro que me livro
das garras da nostalgia.

Após teu adeus tristonho,
foi, enfim, que me dei conta
que o meu rosário de sonho 
perdeu sua última conta...

Lentamente a morte pinga
silenciosa, escondida...
E  em casa pingo de pinga, 
perde-se um pingo da vida!

Da minha dor ninguém manga 
pois quando a tristeza vem, 
me vingo chupando manga 
pelas ruas de Belém! 

Bebeu demais o tal moço,
misturou vinho com cana,
brigou e fez alvoroço
levaram o coitado "em cana"
(Ariete Regina)

Renata Pacolla foi vitoriosa em um concurso da UBT (em Bandeirantes/Paraná) com a seguinte trova:

Pagou os "olhos da cara"
pra ficar de cara boa,
mas nem a operação cara
deu nova cara à "coroa"!

De Talita Batista obtive a seguinte contribuição:
 
Trovas com rimas homógrafas e homófonas, de autoria da poetisa e trovadora Janilce Simoes:
 
Dentro do meu peito eu trago,
resguardado, o coração,
mas sempre que tomo um trago,

revelo a minha emoção!
É comum, na minha casa,
pra evitar devolução,
quando uma filha se casa
trancar com chave o portão!
Quando sua presa mata
todo animal a reparte,
com os demais lá na mata
Contanto que ele se farte
.

MINHA SEQUÊNCIA DE TROVAS COM RIMAS EM PALAVRAS HOMÓGRAFAS:

À injeção, comumente,
em Portugal chamam pica.
E o nome é bem pertinente,
pois, de fato, a agulha pica.
(Gilberto Cardoso dos Santos PB e RN)

Você foi com ele ao mato
e fez o que não convinha,
entretanto eu não te mato.
Volta, Maria Chiquinha.
(Gilberto Cardoso dos Santos PB e RN)

Com baixa estima, a gordinha
no rio não mais se banha.
Sente-se uma porquinha,
devido o excesso de banha.
(Gilberto Cardoso dos Santos PB e RN)


Não viva como animal.
Preste atenção no que falo.
por ética ou por moral,
cuide melhor de seu falo.
(Gilberto Cardoso PB e RN)

Ao ver que o homem feioso
possui terrenos e casas,
pergunta à filha, ansioso:
- Por que com ele não casas?
(Gilberto Cardoso PB e RN)

Só não paguei minhas contas
porque o comércio está fraco.
No entanto, como tu contas,
parece que sou velhaco!
(Gilberto Cardoso PB RN)

O gênio diz-me: "Meu amo,

farei tudo que quiser!"
Por causa disso eu o amo,
bem mais que à minha mulher.
(Gilberto Cardoso PB RN)

De saia curta, a mulher

pede para ir mais cedo.
Entretanto, eu sou Voyeur,
e ao seu pedido não cedo.
(Gilberto Cardoso PB RN)


Vejam a extensão dos gastos.
Espero que vocês somem.
Há resultados nefastos
sempre que os recursos somem.
(Gilberto Cardoso PB RN)


Decerto seu calcanhar
de Aquiles, terrível falha,
é sempre agir sem pensar,
no entanto, achar que não falha.
(Gilberto Cardoso PB RN)


Houve práticas anais
e grande corrupção
que não constam nos anais
da sacra instituição.
(Gilberto Cardoso PB RN)


Supliquei a Mariquinha:
“Me ensine a dançar o Vira.”
E ela respondeu, mesquinha:
“De ti não gosto. Te vira!”
(Gilberto Cardoso PB RN)

Deitemos naquela grama.
Quero que você me amasse...
Te levaria pra cama...
se porventura me amasse.
(Gilberto Cardoso PB RN)