APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sábado, 9 de dezembro de 2017

UM POEMA QUE DESPERTA (AUTOR: VICENTE COELHO)


UM POEMA QUE DESPERTA
AUTOR: VICENTE COELHO

Tem cantador de repente
Confiante no seu grito
Pra cantar alto e bonito
Se julga em todo ambiente
Por querer entrar na frente
Só ele é quem quer cantar
Vive a desclassificar 
Os cantadores menores 
Nos ambientes maiores 
Procura se calar.

Compra logo a prestação 
Uma beca, uma viola
E o cartaz se desenrola
Na imensa região
Por que ele na canção
Tem um jeito ritmado
Por ser muito elogiado
Chama o pequeno de boi
Esquecendo que já foi
Um palhaço no passado.

Os seus primeiros repentes
Nada tinham de certeza
Ele esqueceu a fraqueza 
Dos versos inconscientes
Quando em baixos ambientes
Cantava pouco e ruim
Desgostou mais de um festim
E depois de muito elevado 
Engavetou no passado
Pra ser orgulhar no fim.

Olha vossa majestade
Você começou no A
Passou por B por H
Tornou-se essa sumidade
Hoje na humanidade
É teólogo no saber
Nada mais falta aprender 
Tem tudo em sabedoria 
Quando você não sabia
Também queria viver.

Eu sei que o vaivém
Do tempo lhe desconforta
E você vai bater a porta
De um cantador Zé Ninguém
Olha você hoje tem 
Uma vida admirada
E a mesma rapaziada 
Que lhe tem hoje por fã
Pode dizer amanhã
Que você não canta nada.

Quando a ferrugem dos anos 
Destemperar-lhe a garganta
Você taciturno canta
A dor dos seus desenganos
Seus aplausos soberanos 
Ficarão distanciados 
Quando forem sepultados 
Seus gestos involuntários
Os pequenos solitários 
São por você abraçados.

Medite que canhotinho
Foi cantador aplaudido 
José Alves tão sabido
Hoje está quase sozinho
Leia de Antônio Marinho  
Seus versos penalizados 
Diminua seus pescados
Colega fazendo assim
Julgando seu fim no fim 
Dos companheiros passados.

Hoje para os coronéis 
Fala em ciências empíricas
Canta poesias líricas 
Nas poltronas de hotéis 
Ensina aos coronéis 
As origens dos vocábulos 
As construções dos estábulos 
As fundações dos reinados 
As lágrimas dos recalcados
E os campos vastos dos pábulos.   

Esse seu dom de burguês 
Com o tempo eu sei que muda
Recorde quem foi Zé Duda
Lembra quem foi Milanês
E a lama o que foi que fez
Com grande Rogaciano 
Castro Alves baiano 
Os escombros de Claudino
A lousa de Zé Faustino 
E as proezas de Romano 

Se você por sonho visse 
Sua matéria na cova 
E de Faustino Vila Nova
Em suas cinzas dormisse  
Talvez até que caísse 
Sua besteira singela 
Sua matemática bela 
Media desta maneira
Todos na medida inteira
Ou também meia tigela.

Veja também: AOS POETAS ARROGANTES

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

MESMO SEM NENHUM ESTUDO MEU PAI FOI MEU PROFESSOR


MESMO SEM NENHUM ESTUDO
MEU PAI FOI MEU PROFESSOR

Mote e glosas: Adriano Bezerra

Meu pai partiu muito cedo
Eu fiquei quase um menino,
Chorando e sentindo medo
Das surpresas do destino.
Ele sem ter tido ensino
Foi meu grande educador
Me ensinou qual o valor
De ser sempre honesto em tudo
Mesmo sem nenhum estudo
Meu pai foi meu professor.

Com voz firme e pulso forte
Educava e corrigia
Bastava um olhar ao norte
Muita coisa nos dizia
Jamais um filho ousaria
À ele se sobrepor
Sabia o respeito impor
Com um simples gesto, mudo.
Mesmo sem nenhum estudo
Meu pai foi meu professor

Me ensinou com atitudes
A ser honrado e decente
Carrego suas virtudes
Até hoje, no presente.
Porém, me dói fortemente
Não ter mais meu instrutor
Que dez filhos com amor
Educou sem ter canudo.
Mesmo sem nenhum estudo
Meu pai foi meu professor.

Adriano Bezerra
27/11/2017
Há exatos 25 anos, partia de forma repentina, aos 48 anos, o meu grande herói. O homem que me ensinou os grandes valores da vida. Que me ensinou, como respeitar o próximo, como ser honesto, como ser íntegro, como ser humilde. Meu exemplo de vida. Sou muito grato ao senhor, meu pai. Saudades!


domingo, 19 de novembro de 2017

Gilberto Cardoso, Hélio Crisanto e Nando Poeta: NOVOS ACADÊMICOS DA ANLIC


"Parabéns confrade, dos 17 acadêmicos votantes, você obteve os 17 votos,  o mesmo ocorreu com Hélio Crisanto! Parabéns aos dois!  Serão bem vindos a Academia!!" -  Francisco Queiroz 
MEUS SINCEROS PARABÉNS AOS TRÊS NOVOS MEMBROS DA ANILC, NOSSA ACADEMIA SE FORTALECE COM A PRESENÇA DE VCS, FICO MUITO FELIZ POR TER INDICADO SEUS NOMES E MAIS FELIZ AINDA POR TER SIDO CONSTATADA A COMPETÊNCIA E A IDONEIDADE DE CADA UM., FOI UMA ELEIÇÃO DIFICIL, OS CONCORRENTES ERAM E SÃO NOMES FORTES NO MEIO CORDELIANO, MAS FOI JUSTO E, LIMPO E MERECIDO O RESULTADO. PARABÉNS! Claudia Borges
Parabéns, meus diletos amigos! Essa ascensão, a mim, não surpreende! Trata-se de dois legítimos homens de letras, amantes da cultura, cuja habilidade incomum no manejo desta nossa "inculta e bela, última flor do Lácio", como tão brilhantemente a definiu o insigne Bilac, revela-se incontestável. Agora, mais do que antes, vocês inscrevem, imortalizando, seus nomes nas LETRAS desta NOSSA TERRA POTIGUAR. Estou orgulhoso de vocês, Santa Cruz está orgulhosa de vocês, meus amigos, meus conterrâneos: Poeta Hélio Crisanto; Escritor, Poeta e Professor Gilberto Cardoso. Parabéns! As estrelas brilharam menos, nesta noite, no firmamento, OFUSCADAS QUE FORAM PELO BRILHO DE NOSSOS, AGORA, IMORTAIS. Nosso mais caloroso abraço de alegria. Que o caminho agora aberto por vocês seja palmilhado por outros e outras santa-cruzenses de igual talento e sensibilidade no trato afetivo com esta que é o nosso maior fator de unidade identitária e histórica, índice supremo de nossa nacionalidade brasileira: a LÍNGUA PORTUGUESA. Nossos cumprimentos também a todos os familiares!Francisco Medeiros
Quero parabenizar meus amigos poetas,Gilberto Cardoso Dos Santos e Hélio Crisanto em terem sido escolhidos-eleitos Imortais na Academia Norteriograndense de Literatura de Cordel, concorreram com poetas de todo estado e foram reconhecidos pelos trabalhos da prosa, da poesia, da Literatura de Cordel.Merecido pela simplicidade, de ambos em conquistar um espaço na cultura popular. -  Luciana Rodrigues

ParabénsHélio Crisanto e Gilberto Cardoso Dos Santos!!!!!! Muito feliz com este reconhecimento para os amigos e conterrâneos. Muito merecido. - Iranilson Silva 

Parabéns poetas mil
Presenteando seus encantos
Nos contos dos desenganos

De um povo a carecer
Deichando a poesia florecer
Na apce do saber
Essencia desabrochando
Deixando coraçao
Cheio de emoção
Pensamento à amadurecer
Ione Medeiros

Parabéns meus queridos poetas, mais que merecidos.
Agradeço a Gilberto por ter aprendido muito com a sua pessoa e a o meu poeta Hélio Crisanto também. - Sânia Maria Cabral 

Hélio Crisanto e Gilberto Cardoso Dos Santos na Academia, novos integrantes da Academia Norteriograndense de Literatura de cordel.#Parabéns#  -  Selma Crisanto

Merecedores sem dúvidas nenhuma, parabéns artistas da alma poética. - Rose Mary Silva

Orgulho enorme dos amigos: Hélio Crisanto e Gilberto Cardoso Dos Santos. Um salve para os astros de nossa poética. Tá na hora do grande Adriano Bezerra também voltar a militar pelo Nordeste. -  Débora Raquiel Lopes

Muito oportuna e justa a escolha desses três ilustres poetas/cantores cordelistas como membros da Academia. Principalmente, no que tange a você, Gilberto, e ao Hélio Crisanto. Acho que não conheço o Nando. Mas, com certeza, é do quilate de vocês. 
Parabéns! - Dr. Zé da Luz, Professor da UFRN.

A academia só fez ganhar dois grandes poetas, a certeza que tenho que a partir de agora a academia terá uma movimentação diferente com a entrada de Hélio e Gilberto. Parabéns meus amigos, estou feliz demais por vocês. -  Jefferson Campos

Quem nasceu para brilhar jamais viverá à sombra. Parabéns aos nobres e reconhecidos poetas Hélio Crisanto e Gilberto Cardoso Dos Santos, por integrarem a academia norte rio grandense de literatura de cordel. Isso é valorização daquilo que voces fazem com perfeição. Que Deus os abençoe sempre!! - Ana Lucia

Parabéns nobres amigos Hélio Crisanto e Gilberto Cardoso Dos Santos! Os bons sempre se destacam!!! - Ana Teresa Umbelino

Sejam bem vindos, poetas... Nossa Academia só tem a ganhar... - Manoel Cavalcante 

Parabéns meus nobres amigos, a arte não está do poeta é inclusão social. Instigantes no falar no escrito ou no silêncio, é a mente expelindo o melhor dos sentimentos. - Antony Camilo



VEJA TAMBÉM:

No Blog do Robson Santos

Poetas Santa-Cruzenses entram para ACADÊMIA DA ANLIC

No Blog de Édipo Natan

Gilberto Cardoso e Hélio Crisanto se tornam imortais da Literatura de Cordel potiguar




19 de Novembro: RAZÕES PARA COMEMORAR


Hoje é o Dia Nacional da Literatura de Cordel, um gênero poético, que assim como a crônica, é o que há de mais genuíno na literatura brasileira.

Os cordelistas são poetas de bancada. Isso implica afirmar que suas produções exigem tempo, dedicação, olhar crítico, e sobretudo obediência às regras que normalizam um poema de cordel. A data lembra o natalício de Leandro Gomes de Barros, o maior semeador deste gênero.  E hoje temos muitos motivos para nos alegrarmos, o Cordel está cada vez mais presente. Na semana passada Natal viveu bem isso, com a realização do II Ciclo Natalense do Cordel, promovido pela Estação do Cordel, Academia Norte-Rio-Grandense de Literatura de Cordel e a Sociedade dos Poetas Vivos e Afins. A Casa do Cordel também fez várias ações em seu espaço físico. A mídia registrou, o cordel ficou em alta. Que bom! Enriquecendo este tempo, a ANLIC realizou no dia de ontem a eleição para nova diretoria e escolha de novos Acadêmicos. Foram eleitos Hélio CrisantoGilberto Cardoso Dos Santos, e Nando Poeta. Três grandes nomes que têm mostrado o quanto se dedicam ao Cordel. Eu, enquanto, membro  da ANLIC e amigo dos três, sinto-me feliz em tê-los tão próximos e na luta pela mesma causa. 

Creio que enquanto poetas devemos procurar unir sempre, e para isso é fundamental saber metrificar nossas relações, saber aplicar as palavras com sabedoria de ritmo que sejam capazes de atingir os corações que rimam conosco. Neste mundo tão repleto de exercícios de bancada, não fica bem "pé quebrado".

Vamos continuar celebrando o cordel com encantamento, bravura, romantismo, gracejo, drama, assim como vivem as personagens que neles existem.
Parabéns ao Cordel.

Mané Beradeiro

Parnamirim (Rio Grande do Norte)

LEANDRO GOMES DE BARROS, PAI DO CORDEL BRASILEIRO - Marciano Medeiros

            Xilogravura feita por J. Campos

LEANDRO  GOMES DE BARROS
PAI DO CORDEL BRASILEIRO

(Marciano Medeiros)

Pai do cordel brasileiro
Foi notável menestrel
Grande filho de Pombal
Deixando o sertão cruel
Ganhou brilho no Recife
Fez da palavra um pincel.

Redigiu muitos folhetos
Tendo imensa qualidade
O trabalho que deixou
Nunca perde a densidade
Seu nome ficou eterno
Do campo até a cidade.

Publicou lindos romances
Vendendo com devoção
Expandiu nosso cordel
Dando força a profissão
Fez o Cachorro dos Mortos
E Juvenal e o Dragão.

Leandro sendo um poeta
Brilhava por toda parte
Mostrou Antônio Silvino
Guerreiro com bacamarte
E o Soldado Jogador
Denominou de Ricarte.

Seu coração tão sensível
Botava o verso na mira
Relatou lindas passagens
Sem toque de pinho ou lira
Fez um romance famoso
Os Sofrimentos de Alzira.

Poeta igual a Leandro
Confesso que nunca li
Pra superar o que fez
Nenhum nome conheci
E seu talento criou
A grande índia Neci.

Alimentou a família
Com a grana conseguida
Após vender seus versinhos
Nos pedregulhos da vida
Deixou exemplo marcante
Nos desafios da lida.

Era poeta satírico
Com seu estilo envolvente
Criticou os sacerdotes
Usando o verbo inclemente
Para apagar as mentiras
Dos corações de serpente.

Viveu cinquenta e dois anos
Esse famoso titã
Desde pequeno admiro
O grande autor de Bamam
Quando li O Príncipe e a Fada 
Do mestre me tornei fã.

Partiu há quase cem anos
Pras residências do além,
Mas seu trabalho fecundo
Imenso destaque tem
Não sei às vezes que li
A Vida de Pedro Cem.

Câmara Cascudo falou
Leandro sem pindaíba
Vendeu diversos folhetos
De Recife a Parnaíba
E que o viu na capital
Da bonita Paraíba.

Tenho nele referência
Mestre da linha de frente
Em cada estrofe, Leandro
Botou essência envolvente
E por tudo que deixou
O comparo a Gil Vicente.

Feito aos 19/11/2017

Marciano Medeiros 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

RESENHA EM VERSOS DO FILME O MATADOR - Gilberto Cardoso dos Santos


RESENHA EM VERSOS DO FILME O MATADOR
















A Netflix fez algo
Que me deixou encantado;
Produziu um belo filme
No Nordeste ambientado;
O cenário do sertão
Traz a mítica visão
De um tenebroso passado.

Nesta primeira incursão
No cinema brasileiro
A Netflix acertou
Com um brilhante roteiro,
Direção e produção
Em que Marcelo Galvão
Apresenta um cangaceiro.

O seu nome é Cabeleira,
um pistoleiro cruel;
Trabalha para um francês
Rico e dono de um bordel;
Por conta própria instruído,
Retirou seu apelido
De um folheto de cordel.

Aliás, muito encantou-me
Ver o cordel tão citado
Ao longo de toda a trama
E até mesmo declamado;
Também se faz alusão
Ao famoso Lampião,
Em cordéis biografado.

Turmalina Paraíba
é um minério que enfeitiça
Ao francês, a Cabeleira,
Gerando grande injustiça;
Sexo, fome de poder
E a loucura do ter
Fortalecem a cobiça.

Sete Orelhas, matador,
Seu rude pai adotivo,
Foi à cidade e sumiu
Gerando um quadro aflitivo
Na vida do inocente,
Nascido em seco ambiente
Em nada receptivo.

Como um produto do meio
Em tudo desfavorável
Cabeleira se transforma
Num atirador notável;
Pelo sexo enfeitiçado
Passa a ser manipulado
Por um líder abominável.

O filme captou bem
O sotaque do sertão;
Em termos regionais
Faz-se toda a narração;
A nossa literatura
Linguagem, dor e cultura
Ganham grande projeção.

Trata-se de um faroeste
Com elenco internacional
Ricamente produzido,
Além do Bem e do Mal,
Repleto de sutilezas;
O filme guarda surpresas
Pra quem aguarda o final.

Acho que com este filme
Deu-se mais um grande passo;
Na tevê e no cinema
O cordel amplia o espaço;
190 países
Verão diversos matizes
Da história do cangaço.

(Gilberto Cardoso dos Santos, cordelista).

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Marcelo Galvão (produtor) e Diogo Morgado (ator principal)

Veja o trailer

https://www.youtube.com/watch?v=hhm7glxFAcE


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EMÍLIA CARLA, CORDELISTA E HUMANISTA


Emília Carla criou um personagem denominado Guerreiro, um cão perdigueiro que o pai dela criou. Com o personagem, ele já elaborou 3 cordéis educativos, tratando de temas como amizade, vida simples, amor, respeito e tudo o que interessa à educação de valores voltados para a formação escolar de crianças. 

Lançou seu primeiro cordel na Casa do Cordel, num evento beneficente, onde toda a renda arrecadada na venda do seu cordel fora destinada a ajudar no tratamento de saúde da esposa de um poeta cordelista. Portanto, o projeto dela também tem essa vertente solidária.

Outra vertente interessantíssima que o projeto dela desenvolve é a ideia de trazer mais mulheres para a cultura do cordel. Com o CORDEL ROSA que ela pretende lançar nesses dias, Emília faz a convocação às mulheres para se motivarem com a produção de cordel, sendo escritoras e/ou poetisas do gênero. Isso corresponde a um fato novo na história do cordel no RN, uma vez que no seguimento cordelista tem o domínio do macho. Conforme ela, tem determinado termas que só às mulheres cabem escrever com mais propriedade. - 


A POETISA, POR ELA MESMA:

"Sou uma mulher que como ser humano deseja ocupar um espaço no planeta, sem sofrer preconceitos. Nós mulheres ainda passamos por muitas situações desagradáveis e desnecessárias.
Não sou contra os homens. Amo os homens!!! Eles são necessários para a vida das mulheres, pois a natureza se complementa. Só gostaria que toda e qualquer mulher fosse respeitada.
O cordel é UNO!!! É para unir, agregar e multiplicar."


Emília Carla Alcides 




VEJA TAMBÉM

Entrevista

Declamação



quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A CASA DE ZÉ BENTO (cordel) - Selma Crisanto

Sueli, Sânzia, Carlos, Selma, D. Nelza, Seu Celso, Hélio Crisanto


A CASA DE ZÉ BENTO

Autora: Selma Crisanto


APRESENTAÇÃO

Baseados em fatos reais, os versos que ora apresento, trazem em sua íntegra, a história da nossa infância vivida às margens do rio Jacu de Órfãos, localizado no município de São José de Campestre-RN. As marcas daquela época, nunca esquecidas por todos nós, como também a trajetória de vida percorrida até a nossa chegada na cidade de Santa Cruz-RN no ano de 1974 até os dias atuais.
Deixo aqui registrado, a importância da literatura para a família Crisanto, visto que, papai se deleitava todas as noites contando as histórias de Trancoso e seus versos em cordéis para os seus filhos. Nesse ínterim, o meu coração transborda de alegria, porque faço em vida uma singela homenagem a estes dois amantes da literatura, já considerados cidadãos santa-cruzenses: Celso Crisanto, meu amado papai e ao meu irmão Hélio Crisanto, cantor, compositor, escritor e poeta, que hoje completa cinquenta anos de existência com o coração cheio de amor, ternura e bondade.

1
Nascemos numa casa nova
No sítio do meu avô
Vinte milheiros de tijolos
O pedreiro ali gastou
Mas papai tinha um sonho
E logo concretizou
2
Lá na década de sessenta
Com grande contentamento
Papai comprou uma terra
Pertencente  a  seu Zé Bento
Do outro lado do rio
Por três mil e quinhentos
3
Lembro o dia da mudança
Feita num carro de boi
Seis pessoas foram em cima
E a mobília foi depois
Camiseiro, cama e mesa
E uma saca de arroz
4
Ia um silo de farinha
E um tambor de feijão
Uma dúzia de galinhas
Um lavatório de mãos
E o cachorro Trigueiro
Presente do capitão 
5
Chegando ao anoitecer
Naquela casa esquisita
De chão de barro batido
Pra recomeçar a vida
Já era proprietário
Tinha uma nova guarida 
6
Quando o inverno chegava
Era grande a alegria
O rio botava água
Os barreiros se enchiam
O revoado das garças
No céu se embranquecia
7
Era um tempo de fartura
Os paióis de algodão
Colhia-se jerimum
Batata, milho e feijão
E a feira papai ia
Subindo num caminhão
8
O escaldado de leite
E a papa de farinha
Fortificava a gente
Coalhada, queijo e galinha
Pirão de perna de boi
E buchada também tinha 
9
Vovó Marica fazia
O queijo no ponto certo
E a crendice dizia
Ninguém podia tá perto
Mas quem se deliciava
Era a Tina de Terto
10
Bebia o soro num prato
A manteiga derretia
Ainda levava a sobra
Para a sua freguesia
E a farofa da borra
A meninada comia 
11
Tina era uma velhinha
Humilde e bem  pobrezinha
Cuidava da sua irmã
E era nossa vizinha
Maria doida seu nome
Que andava sem calcinha
12
Mamãe ia costurar
Hélio embaixo da mesa
Maria doida dizia
O que é isso Dona Neuza
Tem um gato por aqui
Tenho toda a certeza
13
Maria segurava a saia
 Ficava apavorada
Sem saber da agonia
Mamãe já preocupada
E Zé Carlos descobria
A doidinha tá pelada